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Primeiros Socorros Psicológicos - como prevenir o trauma

  • Foto do escritor: Cristiane Yukiko Kondo
    Cristiane Yukiko Kondo
  • 8 de mar.
  • 3 min de leitura

Atualizado: 8 de mar.

Como proceder quando estamos diante de uma pessoa que vivenciou um evento potencialmente traumático?


Como proceder - Primeiros Socorros Psicológicos

Tragédias e catástrofes


Eventos potencialmente traumáticos são eventos como: sofrer um acidente, testemunhar uma morte, vivenciar uma enchente ou um deslisamento de terra que destruiu a própria casa, testemunhar uma agressão física, ser vítima de violência, perder uma pessoa próxima, sobreviver a uma tragédia, entre outras situações difíceis.


Passar por uma situação dessas pode ser devastador e os cuidados que podem ser oferecidos logo após esse momento podem prevenir o desenvolvimento de um trauma, podem prevenir o desenvolvimento de um transtorno de estresse pós traumático.


Para oferecer esses primeiros cuidados não é necessário que sejam psicólogos ou profissionais da saúde.


Qualquer pessoa pode prestar os primeiros socorros psicológicos


Em momentos de crise, muitas pessoas podem ficar atordoadas, desesperadas, desorientadas e desorganizadas. Os primeiros cuidados podem ser oferecidos por qualquer pessoa que esteja em condições de prestar esses cuidados de conforto, acolhimento e amparo. Seguem abaixo os passos iniciais:


  • Segurança: Observe se a pessoa já está fora de perigo. Se for necessário, a encaminhe para um local seguro.

  • Cuidados médicos: Verifique se a pessoa precisa de uma avaliação médica, cuidados para feridas, atendimento em pronto socorro. Se necessário, chame o SAMU ou os Bombeiros, ou a encaminhe para atendimento em um serviço de saúde.


Garantindo essas duas etapas (segurança e cuidados médicos), ofereça os primeiros socorros psicológicos.


Dicas práticas para oferecer os Primeiros Socorros Psicológicos


1. Mantenha uma postura acolhedora e sem julgamentos

Acolha sem ficar perguntando o porquê ela estava em uma situação de risco, ou falando que ela não deveria estar ali, ou o que ela deveria ter feito antes para evitar, entre outras falas que não são úteis. O sentimento de culpa piora a situação e revitimiza a pessoa.



2. Respeite o direito de cada pessoa tomar suas próprias decisões



3. Respeite a privacidade

Não tire ou publique fotos e vídeos que expõem a pessoa sem o seu consentimento (não vale ser um consentimento em um momento de desorientação). Proteja-a de ser filmada ou fotografada por curiosos, principalmente em situações constrangedoras.



4. Ofereça suporte prático

Ajude a encontrar abrigo, ajude a encontrar ou ligar para um familiar ou conhecido, ofereça água e alimento, pergunte se ela está com frio, ofereça um agasalho, pergunte se ela faz uso de medicação de uso contínuo e ajude a encontrar serviços de saúde, indique como ela pode falar com os bombeiros, defesa civil ou polícia.



5. Não ofereça falsas esperanças

É natural que você queira diminuir o sofrimento da pessoa. Mas não ofereça falsas esperanças, não minta para tentar oferecer conforto.



6. Não faça promessas que não poderá cumprir



7. Seja paciente e mantenha a calma



8. Ofereça abertura para uma escuta ativa, mas não a pressione para contar sobre o evento traumático

Demonstre estar aberto a ouvir o que a pessoa quiser falar, deixe-a confortável se ela quiser contar o que aconteceu. Mas não fique perguntando o que aconteceu, não a pressione para contar e recontar. Ela terá os espaços dedicados a esse registro (junto à polícia, nos serviços de saúde ou com a família). Contar muitas vezes o que aconteceu pode vulnerabilizá-la para um transtorno de estresse pós traumático.



9. Respeite o silêncio se a pessoa não quiser falar



Resumindo: oferecer muito acolhimento, respeitando a autonomia e garantindo o suprimento das necessidades mais imediatas e básicas.




A chave do cuidado é o sentimento de AMPARO


A parte mais importante nesse processo todo é promover o sentimento de amparo. Precisamos ter ações para que a pessoa que passou por um evento potencialmente traumático possa se sentir amparada, cuidada e acolhida, possa vivenciar esse momento com dignidade e sentindo-se respeitada.


São cuidados simples, mas muito valiosos para quem está passando por um momento muito delicado e difícil. E as pesquisas indicam que esses cuidados diminuem o desenvolvimento de Transtorno de Estresse Pós Traumático (TEPT).



Quer saber mais?



Texto adaptado do post publicado em março de 2022 no Instagram:

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